Em Assunção, Dilma destaca importância dos fundos do Mercosul para o Paraguai

Posted by João Luis




Assunção, 14 ago (EFE).- Após desembarcar na capital paraguaia no início da noite e ter mantido um breve encontro com Horacio Cartes antes de sua posse, prevista para ser realizada amanhã, quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff destacou a importância que os fundos de desenvolvimento do Mercosul têm para o Paraguai.

"Acho que para o Mercosul a entrada do Paraguai é muito importante e também acho que para o Paraguai é muito importante voltar ao Mercosul", declarou Dilma aos jornalistas em sua chegada ao hotel Bourbon de Assunção, onde ficará hospedada.

O Mercosul suspendeu o Paraguai do bloco em junho de 2012, após a destituição do então presidente, Fernando Lugo, em um julgamento político no Parlamento.

A suspensão do Paraguai do bloco, formado pela Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela, terminará justamente amanhã, após a posse de Cartes, que deu a entender que, por enquanto, priorizará a reconstrução das relações bilaterais com seus sócios.

Cartes rejeita a entrada da Venezuela no bloco, aprovado durante a suspensão do Paraguai, e, por isso, não convidou o presidente Nicolás Maduro para sua cerimônia de posse, um fato que acabou motivando a ausência das autoridades equatorianas, contrárias a essa medida. Além do Equador, a Bolívia, sem emitir qualquer explicação, também cancelou sua participação.

Após se reunir brevemente com Cartes em sua residência, Dilma lembrou que o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), "que fundamentalmente privilegia os países que mais precisam", como o Paraguai, emprestou ao país US$ 550 milhões "para construir a linha (de alta tensão) que assegura a absorção de energia elétrica de Itaipu", compartilhada com o Brasil.

"É algo muito importante. Sem isso, haveria dificuldades de estruturar o financiamento e, hoje, o Mercosul conta com fundos bastante significativos para esses projetos de integração da estrutura" elétrica do continente, finalizou Dilma. 
Cartes parece não ceder a sua posição contrária a presença da Venezuela no bloco. O Brasil por sua vez tenta mostra o tamanho da perda do Paraguai em não voltar para o MERCOSUL. A América do Sul fica mais uma vez dividida, Equador e Bolívia não estarão presentes a posse de Cartes. Estaria o Paraguai mais interessado na Aliança do Pacifico como observador? A economia do país cresce mais fora do bloco? Fim de apoios a governos de esquerda na Sul América? Comentem a temática! 16/08/13.

Governo acerta vinda dos primeiros médicos cubanos para o Brasil

Posted by João Luis

Cerca de 300 profissionais estão preparados para desembarcar no país no próximo dia 26; Ministério da Saúde afirma que negociações para acordos coletivos em Cuba e outros países seguem em andamento

Empenhado em amarrar acordos coletivos com outros países para abastecer o programa Mais Médicos, o governo federal está acertando a vinda de uma primeira leva de profissionais estrangeiros para o Brasil. O iG apurou que um grupo de aproximadamente 300 médicos cubanos está pronto para desembarcar no país, o que poderia ocorrer já no próximo dia 26.
Esses profissionais se somam aos demais 938 médicos brasileiros e 715 estrangeiros que participaram da primeira etapa de inscrições do programa. Esses casos, entretanto, se referem a profissionais que se inscreveram individualmente no programa.

Oficialmente, o Ministério da Saúde confirma apenas que as negociações para acordos coletivos com outros países, entre eles Cuba, estão sendo conduzidas pelo ministro Alexandre Padilha. Essa abordagem, segundo a pasta, é prioritária na nova etapa de recrutamento de profissionais para o Mais Médicos. Segundo o ministério, entretanto, os acordos ainda não estão fechados.
Os profissionais que serão trazidos dentro do programa Mais Médicos serão encaminhados a municípios onde não houve nenhum candidato interessado em trabalhar, após seleção inicial realizada pelo Ministério da Saúde. Padilha vai anunciar na manhã de hoje um balanço detalhado dessas primeiras convocações. O número de participantes ainda está muito distante das 15.460 vagas que precisam ser preenchidas em todo o país, de acordo com os dirigentes municipais.
O programa Mais Médicos foi lançado há pouco mais de um mês pelo governo federal como uma aposta para resolver a escassez de médicos em áreas isoladas ou de risco. Além de atrair estrangeiros para o Brasil, o projeto prevê a abertura de mais vagas de Medicina, aumento de bolsas em residência e mais investimentos em infraestrutura.
A atração de médicos estrangeiros para atuarem no Brasil, que será supervisionada por professores universitários e fará parte de um programa de especialização, não agrada a grande parte das entidades médicas. Em maio, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, chegou a anunciar que 6 mil médicos de Cuba viriam trabalhar em regiões pobres. Mas a polêmica em torno do assunto levou o governo a recuar. As críticas versam sobre temas que vão desde a forma como o governo cubano gerencia a categoria até questionamentos sobre a qualificação desses profissionais.

Entre os que defendem a atração de profissionais vindos de Cuba, o argumento é de que as críticas são reflexo de “preconceito”. “Eles possuem uma das menores taxas de mortalidade infantil do mundo. Há muito preconceito”, diz o deputado Rogério Carvalho (PT-SE).
Coordenador da Associação Médica Nacional Maíra Fachini, composta por brasileiros formados em Cuba, o médico Wesley Caçador Soares, defende a atuação dos profissionais no Brasil durante o período de especialização. Ele, que revalidou seu diploma na Universidade Federal do Ceará, conta que a associação possui cerca de 300 médicos brasileiros cujos diplomas cubanos não foram revalidados no país. “Deles, 95% se inscreveram no Mais Médicos. Somos defensores do SUS”, afirma.
Por Clarissa Oliveira e Priscilla Borges, iG Brasília | 

G11 reafirma compromisso com desenvolvimento

Posted by João Luis

G11

Os países que formam o grupo dos países de renda média (G11) reafirmaram hoje (09) na Jordânia o compromisso com os objetivos compartilhados por seus integrantes, dentre os quais destacaram o desenvolvimento sustentável, o império da lei e a democratização.
Em comunicado final redigido após um dia de reuniões na Jordânia, também foi destacada a importância das reformas internas impulsionadas pelos próprios países, assim como a luta contra a corrupção e o terrorismo.
O G11, criado em setembro de 2006 e patrocinado pelo rei Abdullah II, é integrado por quatro países latino-americanos: El Salvador, Equador, Honduras e Paraguai, além de Croácia, Geórgia, Indonésia, Jordânia, Marrocos, Paquistão, Sri Lanka e Tunísia.
O Fórum foi inaugurado pelo monarca jordaniano Abdullah II que disse que o grupo enfrenta "o desafio de consolidar estes objetivos e o desenvolvimento sustentado a longo prazo".
O rei ressaltou que as quatro prioridades dos países - que giram em torno do apoio e da cooperação internacional - são a redução do peso da dívida; a promoção dos investimentos; o desenvolvimento comercial e as doações.
Representantes do Grupo dos Sete Países mais Industrializados e a Rússia (G8), que farão um encontro na Alemanha, em setembro, também estiveram presentes na reunião.
Abdullah II e outros participantes agradeceram pela presença do grupo, e declararam que a cooperação com o G8 representa uma das prioridades do G11.
"As duas organizações têm um objetivo vital em comum: fortalecer a prosperidade e a paz no século XXI", disse.
Além disso, anunciou que a Presidência do G8 havia convidado o líder do G-11 para discutir o estabelecimento de "relações institucionais formais" entre os dois grupos, em Berlim, durante este ano, embora não tenha informado a data.
Os presidentes das duas delegações enfatizaram a determinação de seus respectivos Governos em promover as reformas necessárias.
O presidente de El Salvador, Antonio Saca, disse que o país realizou reformas por meio da modernização da infra-estrutura, e assinou vários acordos de livre-comércio com outros países, sempre com transparência e respeito à lei, com o objetivo de reduzir a pobreza no país.
"Quero ressaltar a importância do papel dos doadores e das instituições financeiras por sua ajuda aos estados com renda inferior para superar os problemas e avançar rumo ao progresso", disse Saca.
A próxima reunião do G11, cuja data não foi divulgada, será realizada na sede da ONU, em Nova York, em 2014.
Mais emergentes para "atrapalhar" os poderosos países centrais? Vão incomodar os BRICS, MIST e CIVETS? Que mundo globalizado! Post e comente a temática! 10/08/13.

Após asilo a Snowden, Obama cancela reunião com Vladimir Putin

Posted by João Luis

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cancelou nesta quarta-feira uma reunião bilateral que teria com o russo Vladimir Putin em setembro. O encontro estava previsto para acontecer antes da cúpula do G20, em São Petesburgo, também no mês que vem.
A retirada do encontro acontece em meio à tensão entre Moscou e Washington após os russos concederem asilo temporário de um ano ao técnico em informática Edward Snowden, na semana passada.

Obama e Putin, em reunião em junho, na Irlanda do Norte; americano cancela reunião com russo por asilo a Snowden
Obama e Putin, em reunião em junho, na Irlanda do Norte; americano cancela reunião com russo por asilo a Snowden
Mesmo com o cancelamento, Obama manteve sua participação no encontro de países. Em entrevista ao apresentador Jay Leno, que será exibida nesta noite, o presidente diz que vai à cúpula devido à sua importância econômica.
"A reunião do G20 é o principal espaço em que falamos sobre a economia com todas as principais economias do mundo. Eles [os russos] a sediam este ano, mas é importante para nós, como principal economia do mundo, garantir que estaremos lá".
Snowden é responsável pelo vazamento do esquema de espionagem de dados telefônicos e de internet feito pelos Estados Unidos. Obama ainda fará uma parada na Suécia, onde deve se encontrar com o primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt.
O país nórdico pediu a extradição de outro procurado por Washington por vazamento de informações, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Abrigado na embaixada do Equador em Londres há mais de um ano, o australiano é acusado de abuso sexual, mas alega que a acusação é um pretexto para extraditá-lo aos EUA.
O cancelamento é uma das demonstrações de irritação dos Estados Unidos com a decisão russa de conceder asilo ao delator, cuja extradição é pedida por Washington para que ele seja processado por crimes como espionagem, roubo de informação sigilosa e traição à pátria.
Horas após a concessão do asilo, na quinta (1º), o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que Obama "reavaliava a necessidade" da reunião. Na ocasião, Carney disse que os americanos ficaram "extremamente decepcionados" com Moscou.
DELATOR
Snowden, 30, trabalhava para a Agência de Segurança Nacional americana (NSA, sigla em inglês) como funcionário terceirizado da empresa Booz Allen Hamilton. Ele revelou detalhes sobre programas de espionagem à mídia britânica e norte-americana, que publicaram as informações no início de junho.
Ele ficou 39 dias morando na área de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, a espera de uma decisão sobre seu destino, já que teve seu passaporte cancelado pelos Estados Unidos. Agora, o delator está morando em um local secreto, não divulgado por seus advogados e pelo site WikiLeaks, que o assessora.
A NSA, cujo material foi divulgado por Snowden, é uma das organizações mais sigilosas do mundo. De acordo com as informações apresentadas pelo delator, a agência monitorou os registros de ligações de milhões de telefones da Verizon, segunda maior companhia telefônica dos EUA.
Também foram verificados dados de usuários de internet de todo o mundo em empresas de internet como Google, Facebook, Microsoft e Apple. O escândalo causou críticas ao presidente Barack Obama, que combateu a espionagem feita pelas agências quando fazia oposição ao republicano George W. Bush.
Bastou incomodar os yankes que eles ficam reativos. 08/08/13.

Grama da maconha no Uruguai será vendido a R$ 5,75

Posted by João Luis

A lei de legalização da maconha no Uruguai ainda não foi votada pelo Senado, mas já se sabe o preço que a droga será vendida nas farmácias se a nova legislação entrar em vigor: US$ 2,50 (R$ 5,75) o grama. A informação foi dada pelo secretário-geral da Junta Nacional de Drogas do país, Julio Calzada, à agência de notícias Télam.
Segundo ele, o valor está de acordo com o que já é praticado no mercado negro do país.

A Folha apurou que, em São Paulo, um grama da droga custa em torno de R$ 2 e R$ 3. Para cada cigarro de maconha, são usados em média entre um e dois gramas da erva.
O projeto de lei aprovado pela Câmara de Deputados do Uruguai na semana passada autoriza a compra de até 40 gramas por mês da droga, para pessoas com mais de 18 anos, em farmácias que terão uma licença especial para comercializá-la.
Calzada também afirmou que haverá um controle para que o país não se torne destino turístico para o consumo da droga. "Vamos ter um registro de usuários com a condição de residência no país, que não vai depender na nacionalidade ou da cidadania, só da residência", disse.
REFERENDO
Após a aprovação da lei no Congresso, na semana passada, políticos da oposição anunciaram que pretendem defender a realização de um referendo para derrubar a lei. Os governistas argumentam, porém, que ela é necessária para combater o tráfico e o crime organizado --segundo eles, a guerra às drogas é custosa e fracassada.
Segundo o jornal uruguaio "La República", o presidente do Uruguai, José Mujica, disse em entrevista publicada nesta segunda-feira (5) que estaria disposto a submeter à consulta popular o polêmico projeto.
"Estão impulsionando (na oposição) um referendo --e espero que o façam--, pois é preciso sair e debater tudo isso. Se não o fizerem, estou pensando em promover isso para que o povo uruguaio se inteire de tudo isso", afirmou Mujica à publicação.
"Há muito o que trabalhar no tema e lamentavelmente a maioria das pessoas não domina a informação (...) O narcotráfico é um negócio que floresce. Se colocarmos na balança o dinheiro que gastamos para combatê-lo e os efeitos que conseguimos, é de chorar, é a empresa mais desastrosa do mundo", explica o presidente.
Mais tarde, porém, o chefe da Casa Civil, Diego Cánepa, assegurou que o mandatário uruguaio não fará nenhuma consulta popular. Segundo ele, Mujica disse que, caso se promova um debate, o mesmo seja feito com todas as informações disponíveis.
"O presidente entende que é necessário transmitir à opinião pública os argumentos que levaram a essa decisão [da legalização da maconha]", disse.
O projeto divide opiniões entre os uruguaios. Segundo pesquisa recente do instituto Cifra, a liberação da maconha é rejeitada por 63% da população.
A proposta foi aprovada na quarta-feira (31) na Câmara dos Deputados por 50 votos a 46, após mais de 13 horas de acalorados debates. O texto segue para votação no Senado, onde a Frente Ampla de Mujica também é maioria.
Caso seja aprovado, o país será o primeiro do mundo em que a produção, a distribuição e a venda de maconha a consumidores adultos serão reguladas pelo Estado.

Deputados uruguaios aprovam projeto de lei que pode tornar o país o 1º a assumir controle da produção e venda da maconha
Deputados uruguaios aprovam projeto de lei que pode tornar o país o 1º a assumir controle da produção e venda da maconha
Post e comente a polêmica temática! 06/08/13.

Derretimento do Ártico custa US$ 60 trilhões ao planeta

Posted by João Luis

A emissão de gás metano pelo derretimento do solo congelado no Ártico vai acelerar a mudança climática e trará um prejuízo global de U$ 60 trilhões até 2100.
Mais de 80% dos danos, dizem os autores da estimativa, serão em países pobres, longe dos ursos polares.
Esses números são os valores médios de uma simulação feita por cientistas da Holanda e do Reino Unido, apresentada na revista "Nature".

Bolhas de gás metano escapam do lago nevado no Ártico
Bolhas de gás metano escapam do lago nevado no Ártico
Para entrelaçar economia e ambiente, os cientistas usaram um método similar ao do relatório Stern, o modelo mais completo já feito sobre o impacto financeiro do aquecimento global, bancado pelo governo britânico em 2006.
O pesquisadores incluíram na nova simulação as consequências da liberação de metano do permafrost (solo permanentemente congelado) da Sibéria. Esse gás deve acelerar o aquecimento global e contribuirá para piorá-lo.
Segundo os cientistas, a emissão de 50 bilhões de toneladas de metano aprisionados na região causaria um aumento de 15% no impacto financeiro descrito no relatório Stern, que estimava em US$ 400 trilhões a perda econômica gerada pelo aquecimento até 2100.
BOMBA-RELÓGIO
"Isso é uma bomba-relógio econômica que não vem sendo sendo reconhecida atualmente no plano mundial", diz Gail Whiteman, da Universidade Erasmus, de Roterdã, líder do trabalho.
A pesquisadora afirma que adiantou a liberação dos dados de seu estudo porque o aquecimento do Ártico vinha sendo discutido em clima de otimismo por países boreais.
William Mur/Ed. de arte/Folhapress
Como 30% das reservas não mapeadas de gás e 13% das de petróleo estão lá, a seguradora Lloyd's of London estima que o investimento na região possa atingir US$ 100 bilhões nos próximos dez anos.
E a exploração do Ártico será facilitada pelo derretimento do gelo em si, que abre rotas de navegação e barateia o transporte.
O retorno do capital, porém, precisaria ser três ordens de magnitude maior para compensar os danos globais. E os países que teriam algum lucro não são os mais ameaçados pela mudança climática, que afetará terras agricultáveis tropicais. "Por isso queremos levar essa discussão ao Fórum Econômico Mundial", diz Whiteman.
Segundo os cientistas, há pouca esperança de evitar a liberação do metano siberiano, mesmo que as emissões de CO2 sejam reduzidas.
Os cenários com os quais os pesquisadores trabalham variam entre uma liberação em dez anos até uma em trinta anos, mas o impacto econômico acumulado seria quase o mesmo.
A única opção regional de medida paliativa é controlar a circulação de navios e a exploração de petróleo para evitar a emissão de carbono negro (forma de fuligem), que faz o gelo absorver radiação.
Os cientistas reconhecem, porém, que o estudo ainda é muito impreciso. Mas isso também não é boa notícia.
"No escopo da simulação, há 5% de chance de que o prejuízo seja de 'apenas' US$ 10 trilhões, mas há 5% de risco de que o impacto seja de US$ 220 trilhões", diz Chris Hope, da Universidade de Cambridge, coautor do trabalho.
Post e comente a temática! 03/08/13.

Busca por energia limpa requer desvios

Posted by João Luis

Jonathan Wolfson e Harrison Dillon começaram daquele jeito mítico do Vale do Silício. Há uma década, os dois amigos de faculdade se puseram a trabalhar na garagem de Dillon, cultivando algas em tubos de ensaio, na esperança de usarem a biotecnologia para criar energia renovável. Aí encontraram um pequeno grupo de investidores.
Agora, eles lançaram seu primeiro óleo derivado de algas em escala comercial: pálido, inodoro e fornecido em um frasquinho dourado, ele não é voltado para tanques de combustível, mas para o rosto de mulheres preocupadas com o envelhecimento cutâneo.
Cada frasco de 30 ml custa US$ 79, e, talvez graças a ele, a empresa da dupla, a Solazyme, consiga ir além do ponto onde tantas outras companhias de tecnologia limpa perderam o gás: a passagem para a produção em escala comercial.
Jim Wilson/The New York Times
Vista em microscópio das células de alga contendo óleo, as com verde mais brilhante são as que mais têm óleo
Vista em microscópio das células de alga contendo óleo, as com verde mais brilhante são as que mais têm óleo
A esperança da Solazyme é se manter à tona fabricando óleos que sirvam a diversas funções -como hidratar a pele ou substituir a manteiga e os ovos em receitas de forno. O passo seguinte é fabricar enormes quantidades de produtos de energia renovável a um preço capaz de concorrer com os combustíveis fósseis.
Há anos, gestores públicos, ambientalistas e empreendedores alardeiam a promessa de domar a energia do sol, do vento, das ondas, dos resíduos sólidos urbanos ou, agora, das algas. Desde 2007, o consumo de energia oriunda de fontes renováveis nos EUA cresceu quase 35%. Hoje, ele representa cerca de 9% do total, segundo a Administração de Informação Energética.
Mas houve fracassos proeminentes. Empreendimentos de energia limpa outrora promissores, que haviam atraído milhões de dólares em apoio do governo americano -como a fábrica de painéis solares Solyndra, a usina de etanol celulósico Range Fuels e o fornecedor de baterias A123 Systems-, faliram. A próxima geração de biocombustíveis, baseada em plantas não alimentícias, ainda luta para conseguir decolar.
O capital de risco se desacelerou, e novas empresas dessa área precisam queimar grandes volumes de capital em muitos anos de pesquisa e em equipamentos antes de comprovarem suas promessas. Em nível global, o capital de risco investido em tecnologias limpas diminuiu de US$ 9,61 bilhões em 2011 para US$ 7,4 bilhões em 2012, uma queda de quase um quarto, segundo o banco de dados i3 Platform, do Cleantech Group.
Por isso, as empresas de energia limpa não podem se apoiar na clássica abordagem em que os investidores recebem dividendos rápidos e polpudos. Elas precisam de uma combinação de verbas governamentais, parcerias setoriais e uma disposição para buscar linhas de produtos com maior valor agregado, como parte da rota que leva a mercados maiores, mas com margens mais reduzidas.
A história da Solazyme mostra como pode ser sinuoso o caminho que leva até tecnologias energéticas lucrativas. Quando começaram, Dillon e Wolfson cogitaram priorizar o uso de algas para produzir hidrogênio, mas os veículos movidos a hidrogênio nunca decolaram.
Os sócios da Solazyme perceberam que precisavam criar um produto que pudesse usar equipamentos e infraestrutura existentes, e o óleo combustível parecia a melhor aposta.
O problema em produzi-lo é que o volume é quem manda. Fazer um produto incrível não era o importante -se a Solazyme não conseguisse fazê-lo em quantidade suficiente, o negócio nunca teria sucesso.
O combustível celulósico pode em breve alcançar uma escala real: o Departamento de Energia dos EUA prevê que haverá 303 milhões de litros em produção comercial até 2015. Mas o uso de algas pelas empresas irá demorar até 2022, preveem as autoridades.
Na Solazyme, os sócios aceleraram os testes preliminares, tentando fazer algo que imitasse o óleo combustível existente. Eles também reprogramaram os micro-organismos para ver o que mais poderia resultar.
"A intenção era uma linha reta até os combustíveis, mas começou a ficar claro o quanto isso iria demorar", disse Wolfson, comentando a evolução da empresa até desenvolver múltiplas linhas de produtos.
A grande descoberta foi que as algas podem produzir óleos que, do ponto de vista bioquímico, se parecem muito com outros encontrados na natureza ou já em uso no mercado. Mas os sócios haviam vendido aos investidores uma empresa de energia, não uma fábrica de cosméticos, suplementos nutricionais e sabão.
Eles também haviam dito ao seu conselho que conseguiriam produzir combustível por meio da fotossíntese, mas o cultivo de algas onde houvesse luz solar suficiente exigiria enormes lagos e ameaçaria causar uma perda de vegetação.
Após procurar às pressas uma alternativa, Wolfson e Dillon informaram ao seu conselho que cultivariam as algas em tanques para produzir óleos especiais para mercados secundários, usando o faturamento dessas vendas para amparar o negócio de combustíveis durante o seu desenvolvimento. Seus principais patrocinadores, que já haviam investido juntos cerca de US$ 1,3 milhão, concordaram em financiar novos testes para essa ideia.
Vários conselheiros acabaram saindo, e vários investidores de risco que haviam demonstrado interesse nas rodadas preliminares de financiamento se retiraram pelo fato de os criadores insistirem em perseguir múltiplos mercados, segundo Wolfson.
"É bem verdade que, se você tenta fazer coisas demais e não tem um enfoque enquanto companhia, você vai fracassar -o enfoque realmente importa", disse ele. "O que eles realmente não entenderam é que a nossa plataforma é uma plataforma que está focada na produção óleos."
A empresa tem um acordo de vários anos com o conglomerado japonês Mitsui para desenvolver óleos específicos para os mercados químico e industrial. Em parceria com a Solazyme, a Bunge, multinacional gigante do setor agroalimentar, está construindo uma fábrica ao lado da sua usina de etanol de cana no centro-sul do Brasil. Ela vai usar o açúcar para alimentar as algas e espera produzir até 114 milhões de litros de óleo por ano para produzir sabão e outros produtos.
"Quanto maiores os dividendos que pudermos demonstrar de cada fábrica no começo, mais rápido conseguiremos financiar e construir fábricas", disse Wolfson. A empresa espera vender os óleos cosméticos a um preço 60% superior ao valor de custo, frente a 30% de lucro para os combustíveis e produtos químicos e 40% para os produtos nutricionais.
Uma tentativa de diversificação caiu por terra em 24 de junho, quando a Solazyme dissolveu uma parceria com a beneficiadora de amidos Roquette Frères.
As empresas estavam usando algas para produzir gorduras com baixo teor de saturação e óleos sem gorduras trans, além de um suplemento em pó, o Almagine, que deveria substituir ovos e gorduras saturadas. Mas as empresas disseram não ter chegado a um acordo sobre a estratégia de marketing.
Analistas dizem que as cifras operacionais da empresa sugerem que, por enquanto, ela é mais promessa do que realidade.
No ano passado, a Solazyme teve um prejuízo líquido de US$ 83 milhões sobre um faturamento de US$ 44 milhões. Ela também assumiu uma dívida de cerca de US$ 185 milhões no começo deste ano.
Mesmo assim, os analistas estão otimistas com as perspectivas da empresa, embora alguns manifestem ceticismo quanto à possibilidade de a Solazyme algum dia desenvolver combustíveis.
"Os combustíveis ainda são uma oportunidade para eles", disse Rob Stone, analista de pesquisas que monitora tecnologias limpas. Mas ele acrescentou que a nova capacidade produtiva em escala comercial poderia ser usada inteiramente para satisfazer à demanda nos mercados de maior valor agregado, então talvez não faça mais sentido para a Solazyme esgotar seu espaço produtivo fabricando combustíveis com margem de lucro menor.
"Acho que eles podem fazer uma companhia enorme sem jamais fazer praticamente nada no negócio dos combustíveis."
Tudo no mundo capitalista precisa ganhar a escala de produção comercial para funcionar, portanto, fica evidente que paciência e um pouco de boa vontade são vitais para o projeto funcionar. A natureza agradece, a produção e o consumo continuam e a ciência avança. Post e comente a temática! 03/08/13.