Você sabia?O Arco do Desflorestamento na Amazônia.

Posted by João Luis

A produção de soja no Brasil alcançou destaque na última década. Atualmente, o país configura-se como maior exportador e segundo maior produtor de soja Ano mundo. Porém, a expansão desse cultivo está sendo associada diretamente ao desmatamento da Floresta Amazônica. Sua cultura iniciou-se no sul do país e avançou para a região central, sobre o bioma do cerrado, expandindo-se, gradativamente, ao norte do Brasil, principalmente por meio de latifúndios monocultores e controlados por grandes empresas transnacionais. A área de avanço agrícola ao norte tem substituído o bioma local: a Floresta Amazônica, o que tem preocupado entidades públicas e privadas, em face do desmatamento exagerado e perda da biodiversidade. Este estudo analisa o avanço da cultura da soja no norte do estado de Mato Grosso, no período entre 1984 e 2009, por meio da interpretação de imagens de satélite, e sua relação com o desmatamento da Floresta Amazônica. Como resultado, apresentam-se três mapas de uso do solo da área de estudo. A análise dos mapas permitiu verificar que o desmatamento recente da floresta está sendo promovido pela atividade pecuária, e os solos descampados e erodidos do pasto têm sido usados para a cultura de soja. Ou seja, na área analisada, a soja estabelece-se em áreas antes degradadas pelo gado, e não diretamente sobre as áreas de floresta desmatada.
Falar em desenvolvimento sustentável no Brasil com exemplos dessa natureza é no mínimo contraditório. O que podemos esperar de positivo do PAC da amazônia no sentido ecológico? Como poderemos pleitear  cargos majoritários na ONU com tais ações predatórias? Post e comente a temática! 17/07/13.

EUA e União Europeia pretendem criar zona de livre comércio

Posted by João Luis



Os Estados Unidos e a União Europeia pretendem criar uma zona de livre comércio. A junção da região em um único bloco econômico criaria uma área com cerca de 800 milhões de consumidores.


A expectativa é que a diminuição dos impostos na região estimule o aumento do consumo, o que geraria mais empregos na Europa, principalmente nos países em que a economia ainda está fria devido à crise. Apesar da longa negociação para que o bloco seja criado, a expectativa é de que o anúncio possa ser feito até o final de 2014.



Para o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, ainda é cedo para avaliar as consequências de tal acordo, mas observa que os países envolvidos terão dificuldade para chegar a um consenso sobre alguns pontos, como o que trata das tarifas praticadas em alguns setores.



As diferenças tarifárias são um grande entrave na opinião do sociólogo Carlos Eduardo Martins, mas ele pontua também a questão política: o acordo aproxima os governos europeus dos Estados Unidos. “Caso esta proposta avance e impulsione as assimetrias e as frustrações sociais, como as que se desenvolveram na União Europeia lastreada pelo euro, poderá provocar uma forte oposição interna cujos efeitos políticos certamente terão impacto significativo na geopolítica mundial do século 21”, avalia o Coordenador do laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-hegemonia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LEHC-UFRJ).



Fonte: Terra / Vanessa Silva
Imaginaram o tamanho do super bloco? Como ficaria o restante do regionalismo planetário? Da TRIPOLARIDADE para uma possível unipolaridade? E a APEC aguentaria a concorrência? Os blocos emergentes como ficariam? Post e comente  a temática! 17/07/13.

Índia contabiliza quase 6.000 desaparecidos em inundações como mortos: MONÇÕES DE VERÃO

Posted by João Luis

Quase 6.000 pessoas desaparecidas após as inundações que afetaram o norte da Índia no mês passado serão consideradas mortas, anunciaram as autoridades nesta segunda-feira.
"No total, 5.748 pessoas continuam desaparecidas e o processo de compensação financeira para as famílias começará na terça-feira, por considerarmos esses desaparecidos faleceram", afirmou Vijay Bahuguna, chefe de Governo de Uttarakhand, o Estado mais afetado.
Rua alagada em Jalandhar; autoridades indianas subiram para 6.000 o número de mortos nas inundações do último mês no norte do país
As chuvas torrenciais de monção, que neste ano aconteceram antes do período habitual, deixaram milhares de turistas e peregrinos retidos no Estado.
O governo prometeu pagar 500.000 rupias (aproximadamente R$ 19 mil) às famílias de cada vítima fatal das inundações e deslizamentos de terra.
"TERRA DOS DEUSES"
No dia 15 de junho, as chuvas e deslizamentos de terra destruíram hotéis e estradas, no auge da peregrinação em Uttarakhand, Estado conhecido como "terra dos deuses" por seus numerosos templos.
Bahuguna garantiu que a prioridade é reconstruir o Estado himalaio, onde centenas de pontes desabaram em consequência da cheia dos rios.
"A maior prioridade é proporcionar água potável, restaurar a energia elétrica e reconstruir as estradas", disse.
"As pontes que podem ser reparadas serão reformadas. Também serão construídas outras novas de substituição", disse, ao anunciar o plano de recuperação de Uttarakhand.
Bahuguna destacou que os moradores de 240 vilarejos devastados receberão ajuda financeira para reconstruir suas casas.
"O governo construirá casas resistentes aos terremotos nas localidades modelo que estabeleceremos", declarou.
As equipes de resgate pretendem entregar 20.000 lâmpadas que funcionam com energia solar a aldeias remotas que estão sem energia elétrica.
No mês passado, milhares de militares foram mobilizados para participar em uma ampla operação de resgate, ajudados por helicópteros do exército, que retiraram mais de 100.000 pessoas da região.
Todos anos as Monções de verão deixam milhares de mortos no sul e sudeste asiático. O rigor climático aliado a grande concentração demográfica da região potencializam as perdas. Post e comente a temática! 16/07/13. 

Paraguai nega volta ao MERCOSUL

Posted by João Luis

Correio Braziliense - 13/07/2013
 

O presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes, rejeitou, no fim da noite de ontem, reintegrar seu país ao Mercosul. Segundo ele, a entrada da Venezuela no bloco e a entrega da presidência rotativa ao presidente Nicolás Maduro não se ajustam aos tratados internacionais firmados pelos sócios fundadores. “As características jurídicas da entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul, em julho de 2012, não respeitaram as normas legais”, afirmou Cartes, por meio de um comunicado divulgado após a cúpula do Mercosul em Montevidéu, onde ficou decidido o retorno do Paraguai ao bloco, com a anulação da medida imposta a Assunção após o impeachment relâmpago do presidente Fernando Lugo.

Segundo Cartes, “o mero transcurso do tempo ou decisões políticas posteriores não restabelecem, por si só, o império do direito”. “O direito internacional e nacional deve ser reconhecido, respeitado e cumprido tal como foi estabelecido”, declarou. Ao ser suspenso do Mercosul, o Congresso do Paraguai ainda não tinha aprovado a entrada da Venezuela no bloco, e resistia à medida por motivos políticos. O presidente eleito, que assumirá no dia 15 de agosto, ressaltou que um fato fundamental da política internacional é a vigência do direito internacional. “A política não é força e nem arbítrio, e também não legitima qualquer fato ou procedimento que ignore o direito”, disse. 

No discurso durante a cúpula em Montevidéu, a presidente Dilma Rousseff sinalizou que o Paraguai e seu povo “são partes essenciais do destino do Mercosul”. Ela ressaltou que o Mercosul “jamais tomou atitudes de retaliação ao povo ou ao governo paraguaio”, demonstrando maturidade política e econômica. Mais tarde, em uma entrevista coletiva, Dilma saudou o retorno do país vizinho. “A partir do dia 15, com a posse do presidente Horacio Cartes, nós temos todas as condições de receber o presidente, e o Paraguai, portanto, de volta ao Mercosul”, declarou. Mas Cartes frustrou a brasileira e os outros líderes do bloco com a negativa.
E agora MERCOSUL? Ficamos sem um membro fundador? Seria mais uma queda de braço dentro do bloco? Post e comente a temática! 16/07/13.

Barco movido a energia solar faz expedição científica

Posted by João Luis

No ano passado, depois de se tornar o primeiro barco movido a energia solar a circum-navegar o globo, o Turanor Planetsolar poderia ter seguido com seus 510 metros quadrados de células fotovoltaicas e sete toneladas de baterias de íons de lítio em direção ao pôr do sol.
Mas o barco vai navegar pela corrente do Golfo, estudando o papel dos aerossóis atmosféricos e do fitoplâncton na regulação clima, sob a direção de Martin Beniston, climatologista da Universidade de Genebra, na Suíça.
O cruzeiro de pesquisa começou em Miami e fará paradas na Terra Nova e na Islândia enquanto acompanha a corrente marítima setentrional. A viagem deverá terminar em Bergen, na Noruega, em agosto.
Em meados de junho, o barco parou em Nova York durante alguns dias. O catamarã de 30 metros e US$ 17 milhões foi o sonho de um eco-aventureiro suíço financiado por um empresário alemão. Completamente movido pela energia solar -as células solares de alta eficiência carregam as baterias que movem motores elétricos ligados às hélices duplas da embarcação -, ele não produz emissões de dióxido de carbono ou outros gases que poderiam contaminar as amostras de ar. O lento deslocamento também não é problema -a velocidade média do barco é de apenas cinco nós.
Jabin Botsford/The New York Times
Ao custo de U$ 17 milhões, barco é o primeiro movido a energia solar a dar a volta ao mundo
Ao custo de U$ 17 milhões, barco é o primeiro movido a energia solar a dar a volta ao mundo
O equipamento de pesquisa transportado inclui uma "ferrybox", sistema de monitoramento que registra constantemente a temperatura, a salinidade e outras características da água. Também tem uma "biocaixa", desenvolvida pelo Departamento de Física Aplicada da universidade, que usa um laser para analisar o número e o tipo de aerossóis nas amostras de ar.
O problema dos aerossóis gerados pelo oceano -partículas sólidas ou líquidas na atmosfera que podem ter um impacto na formação de nuvens, no reflexo da luz solar e em outros processos- é relativamente novo na ciência climática, disse o doutor Beniston. "Supomos que o oceano deve ser um contribuinte bastante grande de aerossóis por meio da ação das ondas e do vento", disse ele.
"Seu papel exato ainda está aberto a questões." O plano do doutor Beniston é examinar estruturas menores na corrente do Golfo, incluindo correntes secundárias giratórias, chamadas vórtices oceânicos. Os vórtices tendem a ter mais empuxo de água mais fria e profunda que a própria corrente do Golfo, por isso um dos objetivos é ver se condições de água diferentes produzem aerossóis diferentes. Bastiaan Ibelings, ecologista microbiano da Universidade de Genebra, quer ver se as condições nos vórtices resultam em mais ou menos diversidade biológica que em outros lugares.
O barco, que concluiu sua circum-navegação de 59.500 quilômetros em 19 meses em maio de 2012, é um "embaixador da energia solar", disse Gérard d'Aboville, seu atual capitão.
O Planetsolar coloca alguns desafios únicos. Além do vento, das ondas e da corrente, d'Aboville deve constantemente considerar a quantidade de luz solar que atinge as células fotovoltaicas, mantendo as baterias carregadas ao máximo. (Elas podem movimentar o barco durante 72 horas quando totalmente carregadas.) "Eu tenho esse novo parâmetro do sol. Isso torna a vida interessante", disse.
Uma expedição científica com um barco sustentável. Basta realizar uma escala industrial de produção que os custos serão menores. Post e comente a temática! 10/07/13.

Risco de guerra civil existe, afirma estudioso da Primavera Árabe: Entenda o que ocorre no EGITO

Posted by João Luis

O risco de guerra civil existe no Egito, mas o mais provável é que ocorra uma negociação mediada pelos EUA entre a Irmandade Muçulmana e as Forças Armadas.
A avaliação é do sociólogo Gilbert Achcar, professor da Universidade de Londres. Para ele, a continuidade das políticas neoliberais explica a atual explosão social. A turbulência deve durar muitos anos, e a Primavera Árabe está no seu estágio inicial.
Achcar, que acaba de lançar um livro de análise sobre o movimento na região, diz que os processos no Egito e no Brasil são radicalmente diferentes. "Não acho que o Brasil esteja no caminho do Egito", diz.
A seguir a entrevista concedida nesta quinta, por telefone.

Folha - O que acontece no Egito?
Gilbert Achcar - É um golpe como o que derrubou Hosni Mubarak em 2011. Nos dois casos foram os militares que tomaram a iniciativa de derrubar o presidente existente, no contexto de uma enorme mobilização de massas. Em 2011, era Mubarak, e a Irmandade Muçulmana estava nas ruas com o restante da oposição. Hoje, a Irmandade Muçulmana está no poder e aqueles que lamentam a queda do antigo regime também estão nas ruas com o restante da oposição, a esquerda etc. É o mesmo cenário, mas os atores trocaram de papel.

Por quê? O que deu errado no Egito?
Muitas coisas. A Irmandade Muçulmana falhou terrivelmente no seu teste de governo. Falhou em atacar a situação econômica e social, porque deu continuidade às mesmas políticas sociais e econômicas do regime anterior. Essas políticas neoliberais não podiam trazer soluções para o país. Ao contrário, agravaram problemas. É inacreditável a forma de fundamentalismo neoliberal do FMI. A Irmandade Muçulmana é uma fundamentalista islâmica. O FMI é um fundamentalista neoliberal. Eles empurram medidas neoliberais num país onde essas medidas levaram a um desastre.

O que fizeram?
O coração da política do FMI é que o setor privado precisa ser o principal motor da economia e que o Estado precisa diminuir seus dispêndios e também os gastos sociais. São receitas para explosão. Eles nem conseguiram implementar muitas medidas do FMI, porque sabiam que eram muito fracos para fazer isso. Continuaram as políticas anteriores e não conseguiram começar a atacar os enormes problemas econômicos e sociais, o desemprego --onde estão as verdadeiras raízes da situação.

Também falharam imensamente no campo político. Ficou claro que tinham perdido muito crédito. Os muçulmanos foram eleitos só no segundo turno graças a pessoas que votaram neles só porque eram contra seus opositores. Não porque eram seus apoiadores. No lugar de entender isso e adotar uma política de conciliação, reunindo outras forças políticas, eles tiveram um comportamento totalmente arrogante. Tiveram a capacidade de colocar contra eles pessoas que inicialmente tinham uma boa impressão deles. Falharam em todas as frentes. É esse fracasso total que levou a esse enorme movimento de massas. A mídia ocidental tem afirmado que esse é a maior mobilização de massas da história humana. Não sei se é isso, mas a massa de muitos milhões de pessoas nas ruas do Egito é impressionante.
O que os muçulmanos vão fazer? É um fracasso do Estado muçulmano?
É um fracasso da Irmandade Muçulmana. Até agora ela está se recusando a aceitar o golpe. Ela tem dois caminhos: conflito ou negociação. Duvido que opte pelo confronto. Isso porque eles são basicamente um partido conservador, com muita classe média e muitos homens de negócios em sua liderança. Não creio que eles se encaminhem para uma aventura de confronto com as Forças Armadas. Isso seria suicídio.

O mais provável é que se encaminhem para uma posição de barganha. É provável que estejam apostando no Qatar e em Washington para negociar algum compromisso com os militares pelo qual teriam alguma fatia de poder, com novas eleições sendo organizadas em breve.
Qual o papel dos EUA nesse processo?
Muitas pessoas acreditam que os EUA são como um deus que puxa todos os cordões em todos os lugares. Isso é loucura. Dizer que a primavera árabe é uma conspiração de Washington é loucura. Washington está no ponto mais fraco de sua influência na região, principalmente devido ao desastre no Iraque.

Com as revoltas, os EUA perderam alguns de seus aliados mais importantes, como Mubarak. Eles estão numa situação muito difícil. Optaram por uma aliança com a Irmandade Muçulmana para encarar a nova situação. Washington estava apoiando o governo Mursi até o último minuto. Ao mesmo tempo, as Forças Armadas no Egito são o aliado mais próximo, estratégico, de Washington. Por isso, os EUA vão ser provavelmente os mediadores. Eles têm ligações orgânicas com as Forças Armadas, o que não é o caso com a Irmandade Muçulmana. Mas, ao mesmo tempo, eles temem ser antagonistas da Irmandade Muçulmana. Por isso, vão tentar mediar, para tentar algum compromisso entre as Forças Armadas e a Irmandade.
Como ficaria a questão do financiamento dos EUA aos militares egípcios, tendo em vista a restrição formal ao apoio a ditaduras?
Não é uma ditadura. As Forças Armadas não estão sendo estúpidas ao ponto de repetir o que fizeram após a queda de Mubarak, quando exerceram o poder diretamente. Pagaram um preço alto por isso, perdendo muito rapidamente a sua credibilidade. Não repetirão essa experiência, a menos que não tenham outra escolha. Estão colocando civis na frente. Vão formar um governo civil e organizar eleições o mais breve possível. Vão fazer isso, a não ser que a situação se deteriore, o que depende da atitude da Irmandade Muçulmana.

Não é uma ditadura?
É menos do que em fevereiro de 2011, quando as Forças Armadas se tornaram governo. Agora elas querem puxar os cordões, mas dos bastidores.

Sobre os EUA, no Congresso eles são pela democracia, desde que ela seja interessante para os interesses dos EUA. Quando a democracia traz algo mais, eles se esquecem disso. Todos os poderes do Ocidente se recusam a reconhecer o governo palestino quando o Hamas venceu as eleições em 2006. Houve hipocrisia. As potências não dirão que a Irmandade é o governo legítimo. São mais próximos das Forças Armadas do que da Irmandade. Houve uma enorme mobilização de massas, e aceitaram o papel dos militares em 2011. E estão aceitando novamente.
As Forças Armadas são a instituição mais importante no Egito?
Sim. Partidos Nunca foram importantes. A espinha dorsal do Estado são as Forças Armadas. Isso acontece desde os anos 1950. Os militares têm o principal papel no Estado e na economia, onde controlam quase um terço da economia egípcia. São donos de várias indústrias, em setores também civis, como turismo, alimentação etc. Têm dirigido o país direta ou indiretamente.

É uma herança de Gamal Nasser (1918-1970)?
Sim. É curioso como a memória é muito curta nesses movimentos de massa. Não se lembram de que há um ano estavam na rua contra as Forças Armadas.

Por quê?
Eles não têm perspectiva própria, uma estratégia para canalizar esse potencial enorme da manifestação popular para a tomada de poder. Isso seria muito revolucionário para eles. Preferem fazer isso através das Forças Armadas.

Há falta de partidos, organizações e instituições que direcionem essa enorme energia para tomar o poder?
Exatamente. Os progressistas e a esquerda são muito fracos. A única força política importante organizada é a Irmandade Muçulmana. Os progressistas não são suficientemente radicais para tomarem o risco de liderar o movimento de massas para uma tomada popular do regime. Por isso dependem das Forças Armadas para alguma coisa acontecer.

No Brasil há fortes manifestações e se fala de falta de representatividade. Há comparação possível com Egito?
São situações radicalmente diferentes. Turquia e Brasil têm mais em comum do que o que ocorre nos países árabes. Nesses, há uma crise resultante da falta de crescimento durante muitas décadas. É um movimento muito profundo contra regimes e governos que têm falta de legitimidade.

Na Turquia e no Brasil, houve crescimento nos últimos anos e muitas conquistas. Enfrentam uma crise de desenvolvimento, não uma crise de falta de desenvolvimento. Em ambos países, ninguém discorda que os governantes foram eleitos pela maioria, que têm legitimidade. Ninguém diz que Dilma Rousseff é uma déspota. Não vejo que o que ocorre no Brasil tenha a profundidade de uma mudança radical, uma explosão como se observa no Egito. Não acho que o Brasil esteja no caminho do Egito.
O que vai acontecer no Egito?
No futuro imediato depende da posição da Irmandade Muçulmana. Ou encontram um acordo, ou, no pior cenário, poderia haver uma situação tipo argelina --quando os militares, em 1992, interromperam o processo eleitoral e houve uma guerra civil. Esse é o risco no Egito. Mas não acredito que a Irmandade fará essa escolha. O próximo capítulo se dará em torno de uma coalizão política. Mas ela não terá condições de atacar a situação social e econômica enquanto continuar seguindo as políticas neoliberais. Isso significa que ainda haverá muitos, muitos anos de instabilidade.

No início das revoltas, em 2011, caracterizei o movimento como um longo processo revolucionário. Isso está no meu último livro "The People Want, A Radical Exploration of the Arab Uprising" [O desejo do povo, uma exploração radical da primavera árabe]. Vai depender da habilidade das esquerdas, da emergência de uma alternativa radical às políticas econômicas que estão sendo implementadas na região desde os anos 1970. Inspiradas no neoliberalismo, elas levaram a esse desastre.
Em que estágio está agora a Primavera Árabe? Ela ainda existe?
Está no estágio inicial. Essa é apenas a primeira fase de um processo que se estenderá por muitos anos. O que disse sobre o Egito vale para toda a região.
Créditos: Folha on line. Comente a temática! 10/07/13.

Defesa do governo Dilma divide centrais sindicais

Posted by João Luis

As principais centrais sindicais chegam divididas ao "Dia Nacional de Lutas" em relação ao apoio ao governo Dilma Rousseff. O movimento, que coloca os trabalhadores na rota de protestos, promete paralisar São Paulo e algumas das principais cidades do país amanhã.
Os trabalhadores fizeram uma série de reuniões para definir uma pauta comum de reivindicações, mas temas sensíveis ao governo Dilma como o plebiscito e o combate à inflação dividem os líderes sindicais.
A falta de consenso resultou na inclusão somente de assuntos de interesse direto dos trabalhadores, como a redução da jornada, o fim do fator previdenciário e ainda o combate à terceirização dos postos de trabalho.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) queria o apoio das demais centrais à consulta popular para uma reforma política, encampada pelo PT e pelo governo. Mas sindicalistas ligados à Força Sindical e à CSP-Conlutas vetaram a ideia. A CUT levará a proposta isoladamente.
Por outro lado, as duas centrais de oposição querem debater o combate à inflação e defendem mudanças na equipe econômica. "Vamos pedir a cabeça do ministro Guido Mantega. Queremos mudança na política econômica e redução na inflação, que corrói o salário do trabalhador", disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.
"O problema não é o ministro. É o governo que privilegia o interesse dos bancos, das empresas, do agronegócio, e não o dos trabalhadores", disse José Maria de Almeida, coordenador da CSP-Conlutas e presidente do PSTU.
A CUT nega que defenda a proposta do governo, mas confirma que é a favor da consulta popular sobre temas de interesse da sociedade.
Os sindicalistas não falam em número de pessoas nas manifestações, mas sim no total de em trabalhadores que vão aderir à paralisação.
Na avaliação da Conlutas, se o Metrô de São Paulo parar 5 milhões de passageiros serão afetados, o que amplificaria o alcance do ato.
Os metroviários devem decidir hoje sobre sua adesão ao dia de protesto. Ontem, a tendência dos líderes da categoria era pela paralisação.
Os ônibus devem operar normalmente em São Paulo, segundo o sindicato.
Pelo menos 600 mil servidores públicos do Executivo e do Judiciário também vão aderir. Petroleiros, professores, comerciários, químicos e metalúrgicos de diferentes centrais também vão parar.
Os estivadores do porto de Santos iniciam hoje a paralisação. Os bancários decidem hoje se participam.
Em São Paulo, haverá uma manifestação conjunta das centrais sindicais na avenida Paulista, a partir das 12h.
Militantes do PT prometem ir às ruas para pedir a reforma política, o que tem irritado as centrais, exceto a CUT.
Dirigentes do partido, pedindo reserva do nome, disseram à Folha que militantes petistas vão participar tendo "a pauta das centrais" como foco principal e que o debate sobre a reforma política nunca foi colocado como prioridade no ato, mas que não podem impedir a militância de tratar sobre o tema, se desejarem. A resistência é atribuída ao que classificam como "veneno" por parte de Paulinho.



Vamos a luta! Comente a postagem. 10/07/13.