Berlusconi ataca S&P's após rebaixamento da nota da dívida italiana

Posted by João Luis

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, reagiu nesta terça-feira ao rebaixamento da nota da dívida italiana pela agência de rating S&P´s. O rebaixamento ocorrido ontem ameaça elevar a preocupação de contágio no cenário de dívida na zona do euro.

Berlusconi disse que o rebaixamento não reflete a realidade e que seu governo já estava tomando medidas para estimular o crescimento.

"As avaliações da Standard and Poor's parecem ditadas mais pelas histórias contadas pelos jornais do que pela realidade e parece ter sido influenciada por considerações políticas", afirmou Berlusconi em um comunicado.

Em sua conclusão, a S&P informa que "o rebaixamento reflete nossa visão de que a frágil coalizão que governa a Itália e as diferenças políticas dentro do Parlamento seguirão limitando a habilidade do governo para responder de forma decisiva aos desafios internos e ao entorno macroeconômico externo".

Por isso, o governo do premiê Silvio Berlusconi frisou em seu comunicado que "sempre obteve a confiança do Parlamento, demonstrando a solidez de sua maioria".

A nota do governo também ressalta que a "Itália aprovou recentemente intervenções que preveem o equilíbrio orçamentário em 2013 e que o governo projeta medidas a favor do crescimento, cujos frutos serão vistos já a curto ou médio prazo".

As conclusões da S&P fizeram com que na manhã desta terça-feira disparasse o prêmio de risco da Itália, medido pelo diferencial entre o bônus italiano a dez anos e o alemão de mesmo prazo, alcançando 399,3 pontos. Já a Bolsa de Milão abriu em baixa, com seu principal indicador, o FTSE MIB, perdendo 1,05%.

MEDIDAS

O governo de Berlusconi já toma medidas contra as agências de rating. Segundo publicou o jornal "The Guardian", no mês passado, a polícia italiana, sob ordem dos promotores, realizou diligências nos escritórios da Moody's e da Standard & Poor's, como parte da investigação do papel dessas agências na turbulência recente dos mercados financeiros.

Além da Itália, Espanha, Irlanda, Grécia, Portugal e Chipre tiveram sua nota da dívida rebaixada em 2011. A dívida do país, que aprovou um pacote de austeridade da semana passada, alcança o valor de 120% do PIB (Produto Interno Bruto).

REBAIXAMENTO

A S&P's reduziu ontem a nota da dívida da Itália, citando questões econômicas, fiscais e políticas. A agência de rating informou ter rebaixado a nota da dívida italiana de "A+/A-1+" para "A/A-1", e manteve sua perspectiva negativa.

Em comunicado, a S&P explicou que o corte reflete a fraqueza nas perspectivas de crescimento econômico da Itália, bem como a frágil coalizão do governo e as diferenças políticas dentro do Parlamento, que continuarão limitando a capacidade do governo para responder decisivamente aos desafios domésticos e externos, informou a agência.

"Em nossa opinião, as medidas incluídas e o cronograma de implementação do Plano de Reforma Nacional provavelmente farão pouco para melhorar a performance econômica da Itália, particularmente num cenário de condições financeiras mais apertadas e de programa de austeridade fiscal do governo", informou a S&P.

A medida da S&P surpreendeu o mercado, que pensava que a agência Moody's cortaria a nota da Itália antes.

MODDY´S

A Moody´s também anunciou na sexta-feira (16) que continua avaliando a possibilidade de rebaixar a nota da dívida da Itália, atualmente em "Aa2", e prevê o anúncio da decisão para outubro.

Há alguns meses, a agência anunciou que a nota estava em revisão para possível rebaixamento, mas desde então não voltou a se pronunciar.

"A Moody's tentará concluir a revisão durante o próximo mês", disse a empresa em comunicado, três meses depois de anunciar o início da revisão da nota italiana.

A nota da Itália --terceira maior economia da União Europeia-- está a dois degraus da nota AAA, a mais alta atribuída por essa agência.

A Moody's colocou a dívida italiana sob revisão para um possível rebaixamento em 17 de junho, mencionando a fragilidade estrutural de sua macroeconomia, o desafio de diminuir sua dívida soberana e as difíceis condições de financiamento enfrentadas pelas nações europeias fortemente endividadas.

A agência de classificação de risco afirmou que sua decisão deve-se "ao ambiente econômico e financeiro cada vez mais desafiante" e aos diversos acontecimentos políticos na zona do euro.

As notas de curto prazo da Itália continuam no nível mais alto.

ENTENDA

O "rating" é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um "default", isto é, de suspensão de pagamentos.

As três agências de classificação de risco de maior visibilidade são a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch Ratings.

Arte Folha Online

As agências usam praticamente o mesmo sistema de letras e sinais. Assim, a melhor classificação que um país pode obter é Aaa (Moody's) ou AAA (Standard & Poor's) que, conceitualmente, significam "capacidade extremamente forte de atender compromissos financeiros".

Na ponta oposta, um título classificado como "C", para a S&P ou a Moody's, tem altíssimo risco de não ser pago.

"A taxa média de 'default' [moratória] entre 1970-2000 para títulos [classificados como] Aaa sobre um período de 10 anos foi de apenas 0,67", afirma a Moody's.

Fica evidente o medo das nações europeias diante da não credibilização pública das suas capacidades de endividamento. Onde a verdade fica? Nos institutos credenciados? Ou no governo italiano? Post e coemnte a respeito da temática! 20/09/11


BRASIL TERÁ FEIJÃO TRANSGÊNICO EM 2014

Posted by João Luis



A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) aprovou ontem a primeira semente de feijão transgênico para cultivo no país. Ela deve estar disponível para o plantio em 2014.

Desenvolvida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a variedade transgênica é a primeira totalmente produzida por uma instituição pública.

O feijão geneticamente modificado é resistente ao vírus do mosaico dourado, um dos principais inimigos dos agricultores. Estima-se que essa praga provoque a perda de 90 mil a 280 mil toneladas de feijão por ano --o país produz 3,5 milhões de toneladas.

"Na média, a perda seria suficiente para alimentar 10 milhões de pessoas", diz Francisco Aragão, pesquisador da Embrapa e um dos responsáveis pelo projeto.

A nova tecnologia pode, portanto, resultar em maior oferta de feijão no país e oscilações menos bruscas de preço ao consumidor.

O feijão foi um dos vilões da inflação em 2010 e a previsão é que a alta se repita nos próximos meses.

A adoção da semente transgênica pelo agricultor também pode diminuir o número de aplicações de inseticidas, o que resultará em economia de custo e aumento na renda do produtor.

Segundo Aragão, a semente transgênica deve ser vendida por valor próximo ao da convencional, pois não haverá cobrança de royalties.

POLÊMICA

A CTNBio aprovou o feijão transgênico por 15 votos a favor, duas abstenções e cinco pedidos de diligência (necessidade de complementação). Mas o debate sobre o tema deve continuar acalorado.

Com posição contrária à liberação, Darci Frigo, coordenador da ONG Terra de Direitos, pretende levar o caso à Justiça Federal, pois considera que houve irregularidades no processo de aprovação.


"Não foram realizados testes suficientes para garantir a segurança do produto. Esse é um assunto sério, pois envolve a alimentação básica do brasileiro", afirma.

O Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), órgão que assessora a Presidência da República, também se opõe à aprovação da semente.

"Não foi seguido o princípio da precaução, de que é melhor obter estudos mais avançados antes do plantio comercial", diz Renato Maluf, presidente do Consea.

Segundo Aragão, foram realizados testes de 2004 a 2010 em todos os ecossistemas onde o feijão comum é cultivado. "Temos convicção de que não há danos à saúde e também não identificamos diferenças nos fatores nutricionais mais importantes, como ferro e proteínas", diz.

Estamos virando ratos de laboratórios? Será que o mercado externo compraria o feijão OGMS? Qual a real intenção do manejo do feijão? Post e comente a respeito da temática! 16/09/11

AULA DE AGROPECUÁRIA 3º ANO OFICINA

Posted by João Luis

AGROPECUÁRIA 2011
13/09/11

Internet transformou a Al Qaeda em 'McDonalds do terror', diz especialista

Posted by João Luis

A rede terrorista Al Qaeda sempre teve em mente uma guerra global, muito além das montanhas do Afeganistão ou das áreas tribais do Paquistão. Com a ajuda dos recursos da internet, o grupo de combatentes se transformou em uma franquia de terroristas que protagonizam ataques diários em várias partes do mundo.

Esta é a avaliação de Gabriel Weimann, que coordena um estudo sobre a presença do terrorismo on-line, na Universidade de Haifa, em Israel. Os pesquisadores já identificaram 7.800 endereços de grupos terroristas, contra apenas doze no primeiro rastreamento, em 1998.

Weimann disse em entrevista exclusiva à Folha.com que os ataques de 11 de Setembro não seriam possíveis sem a internet, com a qual os terroristas pesquisaram rotas de voos, compraram passagens e descobriram até quantos passageiros estariam em cada um dos quatro aviões sequestrados.




Isralelense Gabriel Weimann coordena estudo sobre a presença dos grupos terroristas online
Isralelense Gabriel Weimann coordena estudo sobre a presença dos grupos terroristas online

O especialista diz ainda que a internet é usada pelos terroristas para falar com os mais diversos públicos, de recrutas ao público em geral, incluindo crianças.

"Eles se tornaram muito mais eficientes, muito mais inteligentes e sofisticados no uso da internet. Eles efetivamente se mudaram para o ciberespaço", disse Weimann, uma das maiores autoridades em terrorismo on-line.

Ele destaca ainda que a presença de terroristas no Brasil "não é apenas um pesadelo" e alerta que o país deve se conscientizar da importância desta ameaça, em especial durante a Olimpíada e a Copa do Mundo.

"Vocês já têm grandes grupos que, por enquanto, estão fazendo propaganda e arrecadando fundos, mas eles podem mudar para um nível mais perigoso de terrorismo."

Weimann veio ao Brasil a convite da Associação Brasileira de Amigos da Universidade de Haifa e realizará palestras abertas ao público em São Paulo, antes de seguir para Rio de Janeiro e Brasília. As informações estão no site da associação.

Leia a íntegra da entrevista:

Folha- A internet foi uma ferramenta importante para a organização dos ataques de 11 de Setembro?
Gabriel Weimann - Os ataques de 11/9 não seriam possíveis sem a internet. Eles usaram a internet para planejar os ataques, para coordená-los, para conseguir informação sobre os voos, para comprar passagens, para descobrir quantos passageiros havia no avião, para saber onde poderiam sentar.
Por exemplo, eles queriam que o avião estivesse cheio de gasolina. Você precisa do voo mais longo e que sai mais cedo. Como você faz isso? Você vai à internet e pesquisa rotas. Eles não queriam muitos passageiros, porque passageiros são um risco. Como você faz isso? Você faz uma reserva online e vê quantos assentos já foram comprados.

Como começou o investimento de terroristas como a Al Qaeda na internet?

Quando a Al Qaeda começou no Afeganistão, Osama bin Laden pensava em um ponto de partida. Ele pensava em uma guerra global e, para isso, você precisa de um exército, tecnologia e capacidade de comunicação globais. Por isso, desde o começo eles investem em tecnologia.
Com a internet, a Al Qaeda mudou de uma pequena base de combatentes lutando nas montanhas, nas cavernas, para uma grande afiliação de redes de todo o mundo, como uma franquia. Todos estes grupos são como um McDonalds gigante do terror, só que eles não vendem hambúrgueres e sim terrorismo, mortes, bombas e a guerra santa.
A Al Qaeda não controla diretamente todos os grupos, os combatentes na Somália e no Iêmen lutam suas próprias guerras, mas eles estão afiliados ao espírito da rede. E eles se comunicam pela internet. Todo dia, achamos novas comunicações.

(fo1c)..
Sites terroristas ensinam recrutas, entre outras táticas de ataque, a abater avião com mísseis
Sites terroristas ensinam recrutas, entre outras táticas de ataque, a abater avião com mísseis

Nestes últimos dez anos, como mudou a relação entre internet e o terrorismo?

Quando começamos este projeto, em 1998, havia 12 sites de grupos terroristas. Agora, nós estamos monitorando 7.800 sites, em 20 línguas.
Eles se tornaram muito mais eficientes, muito mais inteligentes e sofisticados no uso da internet. Eles efetivamente se mudaram para o ciberespaço. Toda a atividade em termos de propaganda, treinamento, ensinamentos, é feita online. Eles não usam apenas sites, mas fóruns, chats, Facebook e Twitter. Pense como um terrorista, se você quer mapas de qualquer lugar para planejar uma ação, você vai ao Google Earth e consegue serviço de satélite grátis. É o sonho de um terrorista, está tudo online. Eles aprenderam a tomar vantagem de qualquer ferramenta e avanço.

Como os terroristas usam as redes sociais?

No passado, os terroristas tinham sites e esperavam você chegar a eles, como um dono de uma loja que espera clientes entrarem. Com todas estas ferramentas, eles vão até você com o que chamamos de comunidades virtuais. [O contato nas redes] não começa com terrorismo suicida, violência, mortes, e bombas. Começa com mensagens sociais do tipo "venha até nós", "seja como nós", criam uma amizade, fazem você se sentir parte da comunidade. Só depois, eles mudam para conteúdo violento.

(fo1c)..
Em um dos sites, uma imagem de uma mão colocando um cinto de explosivos em seu filho, incentivando o uso de crianças em ataques
Em um dos sites, uma imagem de uma mãe colocando um cinto de explosivos em seu filho

Como eles evitam ser descobertos?

É fácil fazer sem ser pego. Você não precisa de telefone, não precisa de computador e não precisa de um site. Você pode ir a uma universidade, a uma biblioteca, a lan houses. Você acessa em um e-mail com dados falsos ou cria uma conta no Facebook e posta sua mensagem. As forças de segurança podem encontrar a mensagem e até o computador, mas você não estará mais lá. Cinco minutos depois de postar, você estará longe e você nunca vai voltar. Você usa outro computador, em outra universidade. Eles sabem usar estes recursos.
O próprio Bin Laden era muito cuidadoso com a internet, ele nunca se conectava. Ele sabia que podia ser encontrado assim. Ele gravava diversas mensagens de áudios e vídeos, mas nunca postava as mensagens. Um mensageiro levava o material e postava em outro local. Nunca era feito diretamente por Bin Laden ou em sua casa.

Como fazer então para encontrá-los?

Há três coisas que se pode fazer. Uma é monitorar [estes sites], observar as mensagens e aprender a partir desta comunicação online. É uma fonte muito importante de informação sobre quem eles têm como alvo, que ações planejam, quem eles estão tentando seduzir.
A segunda opção é interferir. Você pode sabotar parte da informação, pode usá-la para tentar achar as pessoas que a postaram ou que estão acessando-a. Você pode até tentar atacar com vírus. Todo mundo que acessar ou baixar esta informação será afetado e você pode usar isso para rastreá-los.
A terceira opção, que é a mais difícil, é tirar o site do ar. É difícil porque eles podem voltar online em cinco minutos em um endereço mais bem protegido. Os governos tentaram no começo ir por esta opção. Não funcionou. O site da Al Qaeda foi destruído dezenas de vezes. Agora eles têm centenas de sites. Você tira um do ar, eles voltam com 50, você tira os 50, eles voltam com 500.

O combate ao terrorismo na internet também mudou nos últimos dez anos?

No passado, antes de 11/9, quando falávamos sobre nossas descobertas sobre o uso da internet por terrorismo, ninguém dava importância. Depois dos ataques, houve um interesse crescente, era até mais fácil conseguir fundos para pesquisa. As forças de segurança se tornaram muito conscientes dos riscos e da necessidade combatê-los no ambiente online.
O governo ficou mais sofisticado, mas ainda estamos atrás dos terroristas. Eles entram no Facebook e nós pensamos como fazer para impedir. Eles usam Google Earth e pensamos: "o que podemos fazer?". Os terroristas estão sempre respondendo, mudando. Este é o primeiro problema.
O segundo problema é que não há fronteiras no ciberespaço, é global. Se você não tem cooperação internacional, não vai adiantar. Você pode bloqueá-los no Brasil e eles vão para o Paraguai. Governos estão tentando cooperar, agências de todo o mundo estão se comunicando, mas é muito difícil organizar uma frente global contra o terrorismo.

(fo1c)..
Site da Jihad Islâmica Palestina voltado especificamente para as mulheres
Site da Jihad Islâmica Palestina voltado especificamente para as mulheres

Uma das questões fundamentais da guerra ao terror é até que ponto se permite a violação da privacidade e dos direitos civis em troca de mais segurança. Como equilibrar esta luta na internet?

Este é um desafio porque o sacrifício é necessário. Por exemplo, no aeroporto, você é assediado. Eles abrem sua mala, tiram seu sapato, fazem perguntas. Mas você está disposto a abrir mão de sua privacidade, alguns de seus direitos, em troca de segurança. É um acordo. Mas este tipo de equilíbrio não foi feito online. Temos uma questão de quem pode fazer o quê. Se alguém pedir em um aeroporto que você corra pelado ao redor do prédio, você não vai fazer. Quem vai poder olhar nossos e-mails? Quem deve ter permissão de fazer o que online? Que agências podem agir online?
Não estou sugerindo que eles não têm direito de fazê-lo, principalmente se eles lutam por melhor segurança e para impedir ataques terroristas. Nós estamos dispostos a sacrificar parte de nossa privacidade, mas queremos saber as condições, queremos um acordo claro, como no aeroporto.

Há iniciativa dos governos de pensar estas questões?

Quase todas as nações democráticas são desafiadas por estas questões. Quão longe podemos ir? Quem vai estabelecer este limite? Eu acho que chegaremos a um estágio em que haverá algum tipo de limite acordado.

Estes sites também são usados para arrecadar fundos?

Sim, o terrorismo custa caro. Você precisa treinar pessoas, pagá-las, alimentá-las. Precisa comprar bombas, passagens de avião. Mesmo estes sites, é necessário dinheiro para mantê-los. No passado, havia sites com o número da conta para contribuições diretas ao Hamas e ao Hezbollah. Depois do 11/9, muitos governos foram atrás deste dinheiro para tentar evitar o financiamento e congelaram os bens. Os terroristas foram então à internet e criaram páginas falsas de promoção do bem-estar social, páginas que parecem ajudar instituições de ensino religioso, famílias pobres, crianças órfãs, mas que financiam os terroristas.

O sr. defende que a internet serve para que os grupos terroristas se comuniquem com diversos públicos...

Há diferentes audiências e elas falam línguas diferentes, retóricas diferentes com cada uma. Isto é o básico que se ensina nas faculdades de propaganda: aprenda qual é seu público alvo e tente fazer a mensagem combinar com ele.
Por exemplo, os Tigres Tâmeis [grupo rebelde separatista do Sri Lanka] tem um site inglês no qual o líder aparece de camisa branca, que é cheio de mapas, história, parece um site de universidade. Se você for ao site em tâmil, há sangue, violência e o mesmo líder em uniforme militar. Sites diferentes, para audiências diferentes. Retóricas diferentes, para audiências diferentes.

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Palestino Hamas usa sua versão do Mickey Mouse para convencer crianças de que o mundo deve ser comandado por islâmicos
Palestino Hamas usa sua versão do Mickey Mouse para convencer crianças de que o mundo deve ser comandado por islâmicos

Há inclusive sites para crianças...

Sim, e são crianças muito novas, de quatro ou cinco anos. Elas são o futuro. Os grupos terroristas se veem em uma guerra global de longo prazo, que não será resolvida em dez anos, e por isso pensam nas próximas gerações.
As crianças são também mais inocentes, mais fáceis de seduzir. Digamos que você queira vender tênis para crianças. Você usa cores, jogos, vídeos, histórias, desenhos, personagens. A estratégia é a mesma com terrorismo. O Hamas usou até mesmo o Mickey Mouse em seus sites.
Eles começam como um jogo de computar e lentamente os fazem assistir material terrorista. Um dos sites do Hamas para crianças insere uma imagem da cabeça decepada de uma mulher que se explodiu em um ataque e diz que ela é uma heroína, que se sacrificou pela causa.
Ou até algo mais sutil. Por exemplo, o jogo é de matar os inimigos. Mas quem é o inimigo? Pode ser o presidente [George W.] Bush, pode ser primeiro-ministro do Reino Unido. Eles legitimam o uso da violência e te dizem quem é o inimigo.

Você fala de um amplo uso da internet para comunicação e coordenação de ataques, mas não há registros de ataques de hackers ligados a estes grupos, por que?

Ciberterrorismo exige profissionais. Ter um site, ter um perfil no Facebook, qualquer um pode fazer. Mas invadir o sistema de uma usina nuclear, assumir o sistema de tráfico aéreo de um país, exige alguém com maior conhecimento. Até agora, os terroristas estão mais ativos na internet de um jeito mais "normal", com os recursos que a maioria das pessoas usam. Mas eles estão pensando em ciberterrorismo e nós sabemos disso porque nós seguimos sua comunicação. Eles pensam nisso, eles tentam recrutar pessoas com este perfil de computação, mas ainda não têm especialistas. Por enquanto, a maioria dos hackers que vemos não tem nenhuma filiação com terrorismo, mas pode chegar o dia em que eles aceitem trabalhar para estes grupos, seja por afinidade, seja por dinheiro.
Ciberterrorismo agora é como uma nuvem cinzenta no céu. Você vê ela lá, mas não sabe quando vai chegar até você, se vai ser em horas ou dias.

Nós vemos muitos grupos de vigilantes não associados a governos que monitoram o terrorismo na internet. Como o sr. avalia este trabalho?

Alguns fazem isso como um negócio, para vender as informações. Outros fazem por motivos ideológicos, em um esforço para proteger o país do terrorismo. Eles fazem um bom trabalho, mas não é suficiente. Eles acompanham um número muito limitado de páginas e perfis associados ao terrorismo.

Uma das consequências do amplo uso da internet, é que o público geral tem acesso a mensagens terroristas, como áudios, vídeos, comunicados. Qual a consequência disso para a propaganda terrorista?

É um esforço de propaganda, no qual eles tentam dar a sua interpretação dos fatos e tentam convencer que a jihad está ganhando.

(fo1c)..
Ameaçado pela Disney, Hamas decide "matar" o Mickey, chamado localmente de Farfur, em ação perpetrada por um israelense
Ameaçado pela Disney, Hamas decide "matar" o Mickey (chamado lá de Farfur) em ação perpetrada por um israelense

Qual a influência do terrorismo no Brasil?

Não é uma teoria, já há terroristas no Brasil e vocês sabem seus nomes. Não é apenas um pesadelo de que talvez um dia o terrorismo possa chegar. Vocês já tem grandes grupos que, por enquanto, estão fazendo propaganda e arrecadando fundos, mas eles podem mudar para um nível mais perigoso de terrorismo.

O que há no Brasil que atrai os terroristas?

Primeiro, o Brasil se tornou um grande Estado na economia e política internacional e se você atinge um importante ator internacional, você consegue atenção, publicidade.
Segundo, o Brasil tem minorias e desigualdades sociais. É assim que os terroristas recrutam nos EUA e no Reino Unido, procurando comunidades que são pobres e não estão bem integradas.
Terceiro, vocês vão sediar a Copa do Mundo e a Olimpíada, dois eventos mundiais de grande porte, um alvo ideal dos terroristas.
Finalmente, talvez porque Brasil não está acostumado com terrorismo, ele é um dos mais liberais com a internet. O Brasil não está preocupado com terrorismo online e não está agindo contra ele.

O que o Brasil pode fazer para enfrentar o terrorismo?

Pode aprender da experiência de outros países, não precisa inventar nada. As forças de segurança do Brasil devem se conscientizar desta ameaça e de como se prepara para ela. Apenas monitorando a atividade terrorista, por exemplo, você pode aprender muito e inclusive descobrir quais são os alvos preferenciais.

Adaptado da folha de São Paulo.

Post e comente a respeito da temática! 10/09/11

OCDE revisa para baixo perspectiva de crescimento de países do G7

Posted by João Luis


A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou em forte baixa as previsões de crescimento dos países ricos em 2011 e admitiu o risco de que alguns voltem a entrar em recessão, assim como a possibilidade de agravamento da crise na Eurozona, em um relatório divulgado nesta quinta-feira.

As previsões da OCDE sobre o G7 (Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália) destacam que dois destes países - Alemanha e Itália - registrarão pelo menos um trimestre de contração do Produto Interno Bruto (PIB).

Com exceção do Japão, em plena reconstrução após as catástrofes naturais e o acidente nuclear de março, as economias do G7 terão um crescimento médio abaixo de 1% no segundo semestre de 2011 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a OCDE.

O PIB dos Estados Unidos terá um aumento, em ritmo anual, de 1,1% no terceiro trimestre e de 0,4% no cuarto, indica a OCDE, que reduziu suas previsões de maio, quando projetava altas de 2,9% e 3% respectivamente nos dois últimos trimestres de 2011.

Na Alemanha, maior economia da Eurozona, o crescimento será de 2,6% no terceiro trimestre, mas o período outubro-dezembro terá contração de 1,4%.

O crescimento da França será de 0,9% e de 0,4% nos dois períodos, muito abaixo das previsões de 1,8% e 1,9% que a OCDE divulgou em maio.

"O risco de um período de crescimento negativo em breve ganhou força", declarou o economista chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, que não descarta a possibilidade de recessão em algumas das grandes economias do planeta.

"Duvidamos, no entanto, que aconteça uma repetição da crise de 2008-2009", completou, antes de pedir uma ação dos poderes públicos.

A OCDE deseja, em especial, que os bancos centrais do G7 que ainda têm margem de manobra reduzam as taxas de juros, para estimular o investimento e o consumo.

Também pede à Eurozona um reforço da capitalização de seus bancos e a aplicação rápida do resgate da Grécia, para frear o contágio da crise da dívida.

A OCDE ainda não percebeu que as economias de países de industrialização clássica e urbanização mais antiga estão em constante crise econômica. Ainda mais em tempos de pouca liquidez no mercado mundial. A estratégia de negociar "papeis" ligados as dívidas públicas das economias do G7, não convence mais ninguém nos países emergentes. Estaria a OCDE preparando uma temática para o Forúm Econômico Mundial? Mais uma vez dividir o prejuízo com o restante do planeta? Post e comente a respeito da temática! 08/09/11

POLÍTICA DO MEDO PERPETUA TRAUMA DO 11 DE SETEMBRO

Posted by João Luis


Confusão, ansiedade e uma certa fadiga são os resultados principais de dez anos de políticas que cultivaram o medo, uma das consequências mais visíveis dos atentados de 11 de Setembro na sociedade americana.

Visto como maior preocupação de quase metade dos americanos após os atentados, em 2001, o risco de um ataque terrorista não é prioridade hoje nem para 1% deles, indicam pesquisas.

Mas, embora o movimento seja natural, dado o distanciamento histórico e a ascensão de problemas mais urgentes como a crise econômica, ele abriu cicatrizes resistentes: 36% temem ser vítimas de um futuro ataque.

Para especialistas, esse clima de medo constante, mesmo subjacente, pode ser lido como trunfo do terrorismo.

"Os americanos se tornaram mais passivos por conta de promessas irrealistas do governo", disse à Folha Brian Michael Jensen, historiador e veterano do Vietnã, que serviu no governo Bill Clinton (1993-2001) e que hoje atua na consultoria de segurança Rand. "Tentamos abolir o risco de nossa sociedade por completo", diz o especialista, que costuma ser consultado pelo Congresso americano. "Isso é impossível." (folha on line 06/09/11)

Passados 10 anos do ataque terrorista aos Estado Unidos, o mundo mudou bastante. O terrorismo mostrou sua capacidade de atacar com sucesso uma grande potência, as defesas vigentes se mostraram inoperantes, ante a guerra ao terror, a sociedade ocidental viu na prática a chamada "Guerra Santa" em pleno mundo capitalista norte americano. Teremos novos ataques? instalada uma novíssima ordem mundial? Post e comente a respeito da temática! 06/09/11

FOGÃO QUE AO COZINHAR GERA ENERGIA. PODE?

Posted by João Luis


A indústria brasileira desenvolveu um equipamento capaz de cozinhar e, com o calor produzido, gerar energia para casas sem luz elétrica. É um fogão a lenha e ao mesmo tempo uma miniusina de geração de energia.

Cerca de 300 famílias que vivem em comunidades distantes em Xapuri, no Acre, são os pioneiros na utilização desse equipamento. Com o fogão, elas têm luz, alimento refrigerado e podem ver TV.

Quatro horas de preparo diário de alimentos geram energia para manter acesas três lâmpadas de led por seis horas, um rádio por quatro horas, uma TV de 14 polegadas e um receptor de parabólica por três horas e ainda um pequeno refrigerador de corrente contínua por 24 horas.

A ideia do engenheiro-mecânico Ronaldo Sato, 58, encantou o empresário Flávio Pentagna Guimarães, 83, que decidiu desenvolvê-la na Energer, empresa de energia renovável do Grupo BMG.

O projeto foi testado e aprovado pelo Cepel, o laboratório de pesquisas e desenvolvimento da Eletrobras, e também pelo INT (Instituto Nacional de Tecnologia).

O Cepel considerou que o "fogão gerador tem viabilidade técnica para o suprimento de energia elétrica a pequenos consumidores" e que o equipamento pode ser importante para o país em áreas rurais distantes da rede elétrica convencional.

Quatro horas de cozimento nesse fogão consomem até 16 kg de lenha ou gravetos. Sato disse que há estudos que mostram que os fogões a lenha tradicionais consomem 18 kg de lenha por dia.

O preço de fabricação está hoje em cerca de R$ 4.900 (sem a geladeira e a TV), mas Sato acredita que, com produção em escala, esse valor possa cair até 40%.

Basta ter um pouco de vontade política que as coisas acontecem. O invento pode não ser o melhor do mundo para suprir necessidades maiores de consumo energético, porém é um caminho prospero para tal. Post e comente a respeito da temática! 02/09/11